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sábado, 4 de abril de 2015

Desde la página del poeta brasilero Antonio Miranda,

para compartir entre quienes gustan de la poesía de todos los tiempos:


CECILIA MEIRELES

Cecília Meireles
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CECÍLIA MEIRELES (1901–1964) —
 Jornalista, educadora, cronista.
 Obras principais: ViagemVaga Música, Mar AbsolutoRetrato Natural,
 Romanceiro da InconfidênciaMetal RosiclerSolombra,
 “Reinvenção” é de Vaga Música.
  


De



Cecília Meireles 
 PEQUENO ORATÓRIO DE SANTA CLARA



Gravuras de Manuel Segalá



Rio de Janeiro: Philobiblion, 1955.  ilus.  67 p 

Edição de 320 exemplares, sendo este o de n. 63 

autografado pela autora e  dedicado a Henriqueta Lisboa. 

Acondicionado em caixa de madeira em formato de  oratório.


SERENATA
Uma voz cantava ao longe
entre o luar e as pedras.
E nos palácios fechados,
entregues às sentinelas,
— exaustas de tantas mortes,
de tantas guerras! —
estremeciam os sonhos
no coração das donzelas.
Ah! que estranha serenata,
eco de invisíveis festas!
A quem se dirigiam
palavras de amor tão belas,
tão ditosas
(de que divinos poetas?),
como as que andavam lá fora,
pelas ruas e vielas,
— diáfanas, à lua,
— graves, nas pedras...?
CONVITE

Fechai os olhos, donzelas,
sobre a estranha serenata!
Não é por vós que suspira,
enamorada...
Fala com Dona Pobreza,
o homem que na noite passa.
Por ela se transfigura,
— que é a sua Amada!
Por ela esquece o que tinha:
prestígio, família, casa...
Fechai os olhos, donzelas!
(Mas, se sentis perturbada
pela grande voz da noite
a solidão da alma,
— abandonai o que tendes,
e segui também sem nada
essa flor da juventude
que canta e passa!)

(...)
CLARA

Voz luminosa da noite,
feliz de quem te entendia!
(Num palácio mui guardado,
levantou-se uma menina:
já não pode ser quem era,
tão bem guarnida,
com seus vestidos bordados,
de veludo e musselina;
já não quer saber de noivos:
outra é a sua vida.
Fecha as portas, desce a treva,
que com seu nome ilumina.
Que são lágrimas?
Um vasto campo deserto,
a larga estrada divina!
Ah! feliz itinerário!
Sobrenatural partida!


================================


REINVENÇÃO

A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vêm de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.

Só — na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.


                       
MOTIVO 
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.


RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazio,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?


LEVEZA

Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.

E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.

E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.

E o desejo rápido
desse antigo instante,
mais leve.

E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.    


CADA PALAVRA UMA FOLHA

Cada palavra uma folha
no lugar certo.

Uma flor de vez em quando
no ramo aberto.

Um pássaro parecia
pousado e perto.

Mas não: que ia e vinha o verso
pelo universo. 

HUMILDADE 
Tanto que fazer!
livros que não se lêem, cartas que não se escrevem,
línguas que não se aprendem,
amor que não se dá,
tudo quanto se esquece.

Amigos entre adeuses,
crianças chorando na tempestade,
cidadãos assinando papéis, papéis, papéis...
até o fim do mundo assinando papéis.

E os pássaros detrás de grades de chuva.
E os mortos em redoma de cânfora.

(E uma canção tão bela!)

Tanto que fazer!
E fizemos apenas isto.
E nunca soubemos quem éramos,
nem para quê.


SEGUNDO MOTIVO DA ROSA

         A  Mário de Andrade

Por mais que te celebre, não me escutas,
embora em forma e nácar te assemelhes
à concha soante, à musical orelha
que grava o mar nas íntimas volutas.

Deponho-te em cristal, defronte a espelhos,
sem eco de cisternas ou de grutas ...
Ausências e cegueiras absolutas
ofereces às vespas e às abelhas,

         e a quem te adora, ó surda e silenciosa,
e cega e bela e interminável rosa,
que em tempo e aroma e verso te transmutas !

Sem terra nem estrelas brilhas, presa
a meu sonho, insensível à beleza
que és e não sabes, porque não me escutas . . .


VIGÍLIA

Como o companheiro é morto,
todos juntos morreremos
um pouco.

O valor de nossas lágrimas
sobre quem perdeu a vida,
não é nada.

Amá-lo, nesta tristeza,
é suspiro numa selva
imensa.

Por fidelidade reta
ao companheiro perdido,
que nos resta?

Deixar-nos morrer um pouco
por aquele que hoje vemos
todo morto.


O CAVALO MORTO

Vi a névoa da madrugada
deslizar seus gestos de prata,
mover densidade de opala
naquele pórtico de sono.

Na fronteira havia um cavalo morto.

Grãos de cristal rolavam pelo
Seu flanco nítido: e algum vento
torcia-lhe as crinas, pequeno,
leve arabesco, triste adorno

— e movia a cauda ao cavalo morto.

As estrelas ainda viviam
e ainda não eram nascidas
ai! as flores daquele dia ...

— mas era um canteiro o seu corpo:

um jardim de lírios, o cavalo morto.

Muitos viajantes contemplaram
a fluida música, a orvalhada
das grandes moscas de esmeralda
chegando em rumoroso jorro.

Adernava triste, o cavalo morto.

E viam-se uns cavalos vivos,
altos como esbeltos navios,
galopando nos ares finos,
com felizes perfis de sonho.

Branco e verde via-se o cavalo morto,

no campo enorme e sem recurso

- e devagar girava o mundo
entre as suas pestanas, turvo
orno em luas de espelho roxo.

Dava o sol nos dentes do cavalo morto.

Mas todos tinham muita pressa,
e não sentiram como a terra
procurava, de légua em légua,
o ágil, o imenso, o etéreo sopro
que faltava aquele arcabouço.

Tão pesado, o peito do cavalo morto!


METAL ROSICLER, 9

Falou-me o afinador de pianos, esse
que mansamente escuta cada nota
e olha para os bemóis e sustenidos
ouvindo e vendo coisa mais remota.
E estão livres de engano os seus ouvidos
e suas mãos que em cada acorde acordam
os sons felizes de viverem juntos.

"Meu interesse é de desinteresse:
pois música e instrumento não confundo,
que afinador apenas sou, do piano,
a letra da linguagem desse mundo
que me eleva a conviva sobre-humano.
Oh! que Física nova nesse plano
para outro ouvido, sobre outros assuntos...”

Cecilia Meireles


De

Cecilia Meireles



POEMAS ESCRITOS NA ÍNDIA



Rio de Janeiro: Livraria São José, s.d.
 108 p. (1954?)


HUMILDADE

Varre o chão de cócoras.
Humildade.
Vergada.
Adolescente anciã.

Na palha, no pó
seu velho sári inscreve
mensagens de sol
com o tênue galão dourado.

Prata nas narinas,
nas orelhas,
nos dedos,
nos pulsos.

Pulseiras nos pés.

Uma pobreza resplandecente.

Toda negra:
frágil escultura de carvão.
Toda negra:
e cheia de centelhas.

Varre seu próprio rastro.

Apanha as folhas do jardim
aos punhados,
primeiro;
uma
por
uma
por fim.

Depois desaparece,
tímida,
como um pássaro numa árvore.

Recolhe à sombra
suas luzes:
ouro,
prata,
azul.
E seu negrume.

O dia entrando em noite.
A vida sendo morte.
O som virando silêncio.



Cecília Meireles


De

Cecília Meireles



SOLOMBRA



Ilustrações de Pomar

Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1963


Há mil rostos na terra: e agora não consigo
recordar um sequer. Onde estás? inventei-te?
Só vejo o que não vejo e que não sei se existe.

Esperamos assim. Por esperança, a espera
vai-se tornando sonho afável; mas descubro
no olhar que te procura uma névoa de orvalho.

Qualquer palavra que te diga é sem sentido.
Eu estou sonhando, eu nada escuto, eu nada alcanço.
Quem me vê não me vê, que estou fora do mundo.

Lá, constante presença em memória guardada,
percebo a tua essência — e não sei nem teu nome.
E à tentação de tantas máscaras felizes

se opõe meu leal, nítido sangue.



***




Eu sou essa pessoa a quem o vento chama, 
a que não se recusa a esse final convite, 
em máquinas de adeus, sem tentação de volta. 

Todo horizonte é um vasto sopro de incerteza: 
Eu sou essa pessoa a quem o vento leva: 
já de horizontes libertada, mas sozinha. 

Se a Beleza sonhada é maior que a vivente,  
dizei-me: não quereis ou não sabeis ser sonho?  
Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga. 

Pêlos mundos do vento, em meus cílios guardadas  
vão as medidas que separam os abraços.  
Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina: 

«Agora és livre, se ainda recordas».




MEIRELES, Cecília.  Mar absoluto e outros poemas. Porto Alegre: Edição da Livraria do Globo, 1945.  249 p.  17x20 cm. 

- Retrato (desenho) da autora por Aroad Azebes. Inclui os poemas de “Mar Absoluto” (p. 9-191), “Os Dias Felizes” (p. 195-222) e “Elegia” (227-238).   Desenho da capa de M. H. Vieira da Silva, Letras de H. Sobotka.   “Desta edição foram tirados centro e cinquenta exemplares fora de comércio, numerados de 1 a 150 e rubricados pela autora.”  Col. A.M.


O TEMPO NO JARDIM

Nestes jardins — há vinte anos — andaram os nossos muitos passos,
e aqueles que então éramos se contemplaram nestes lagos.

Se algum de nós avistasse o que seríamos com o tempo,
todos nós choraríamos, de mútua pena e susto imenso.

E assim nos separámos, suspirando dias futuros,
t nenhum se atrevia a desvelar seus próprios mundos.

E agora que separados vivemos o que foi vivido,
com doce amor choramos quem fomos nesse tempo antigo.


3º MOTIVO DA ROSA

Antes do teu olhar, não era,
nem será depois, — primavera.
Pois vivemos do que perdura,.

não do que fomos. Desse acaso
do que foi visto e amado: — o prazo
do Criador na criatura...

Não sou eu, mas sim o perfume
que em ti me conserva e resume
o resto, que as horas consomem.

Mas não chores, que no meu dia,
há mais sonho e sabedoria
que nos vagos séculos do homem.


---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- TEXTOS EN ESPAÑOL

REINVENCIÓN  Tradução de Anderson Braga Horta

La vida sólo es posible
reinventada.

Anda el sol por las campiñas,
pasa la mano dorada
por las aguas, por las hojas...
¡Ah! todo pompas
que vienen de hondas piscinas
de ilusionismo... — sin nada.

Pero la vida, la vida,
la vida sólo es posible
reinventada.

Viene la luna y retira
las cadenas de mis brazos.
Me proyecto a unos espacios
llenados de tu Figura.
¡Todo mentira! Mentira
de la luna, en noche oscura.

No te alcanzo, no te encuentro...
En el tiempo equilibrada,
del columpio me desprendo
que afuera del tiempo lleva.

Sola — en nieblas,
quedo: recibida y dada.

Porque la vida, la vida,
la vida sólo es posible
reinventada. 
MOTIVO 
         Traducción de Patricia Tejeda 

Canto porque el instante existe
y mi vida está completa.
No soy alegre ni soy triste:
soy poeta.

Hermano de las cosas fugitivas,
no siento gozo ni tormento.
Atravieso noches y dias
en el viento.

Si desmorono o si edifico,
si permanezco o me deshago
- no sé, no sé. No sé si es que me afirmo
o paso.

Sé que canto. Y la canción es todo.
Tiene sangre eterna la ala ritmada.
y un dia sé que estaré mudo:
- ?más?, nada.  

RETRATO 
Traducción de Patricia Tejeda      

No tênia este rostro de hoy,
así calmo, así triste, así magro,
ni  estos ojos tan vacíos,
ni el lábio amargo.

No tenía estas manos sin fuerza,
tan inertes y frias, y muertas;
no tenía este corazón
que ni se muestra.

No percibí esta mudanza,
tan simple, tan cierta, tan fácil:
- ?En qué espejo mi rostro perdido
se deshace? 

LEVEDAD 
        Traducción de Patricia Tejeda

Leve es el pájaro:
y su sombra volante,
más leve.

Y la cascada aérea,
de su garganta,
más leve.

Y lo que recuerda, oyéndose
deslizar su canto,
más leve.

Y el deseo rápido
de este antiguo instante,
más leve.

Y la fuga invisible
del  amargo pasante,
más leve.  

CADA PALABRA UNA HOJA 
         Traducción de Patricia Tejeda

Cada palabra uma hoja
en el lugar perfecto.

Una flor de vez en cuando
en el ramaje abierto.

 Un pájaro que parecia
posado y cierto.

Mas, no: que iba y venía el verso
por el universo. 

HUMILDAD 
         Traducción de Patricia Tejeda

!Tanto que hacer!
libros que no se leen, cartas que no se escriben,
lenguas que no se aprenden,
amor que no se da,
todo cuanto se olvida.

Amigos entre adioses,
niños llorando en la tempestad,
ciudadanos firmando papeles, papeles, papeles...

Y los pájaros detrás de rejas y lluvias,
y los muertos em redomas de alcanfor.

(!Y una canción tan bella!)  

!Tanto que hacer!
E hicimos apenas esto.
Y nunca supimos quiénes éramos
ni para qué.

                    
Las traducciones de Patricia Tejeda han sido extraídas de la obra GABRIELA MISTRAL & CECÍLIA MEIRELES/ GABRIELA MISTRAL Y CECÍLIA MEIRELES. Edição conjunta da Academia Chilena de la Lengua y Academia Brasileira de Letras, em 2003. Una bella edición bilíngüe de textos de las grandes poetas de Sudamerica, fuera de mercado pero disponible en muchas bibliotecas de los dos países.



PÁJARO

         Traducción de Ricardo SiIva-Santisteban


Lo que ayer cantaba
ya no canta.
Murió de una flor en la boca:
no de la espina en la garganta.

Amaba el agua sin sed
y, por cierto,
a pesar de tener alas, miraba el tiempo
libre de necesidad.

No fue anhelo o imprudencia:
no fue nada.
Y el día toca en silencio
Ia desventura causada.

Si acaso eso es desventura:
perder la vida
sobre una rosa tan bella,
por una herida tan ténue.


De:  POETAS AMERICANAS. Selección de Reybaldo Jiménez.   Buenos Aires: Editorial Leviatan,  1998.  142 p.  Poetas internacionais, incluindo a brasileira Cecília Meireles. 



De Cecília Meireles

Antología poética (1923-45).  Selección y traducción de Gastón Figueroa.

Montevideo: 1947.  35 p. (Cuadernos “Poesía de América”, 1.

35 p.   Edição de 300 exs.


EPIGRAMA N.° 1

Posa sobre esos espectáculos infatigables
una sonora o silenciosa canción:              
flor del espíritu, desinteresada y efímera.

Por ella, los hombres te conocerán,
por ella, los tiempos versátiles sabrán
que — aunque inútilmente — el mundo más bello quedó
cuando anduvo por él tu corazón.



EPIGRAMA. N.° 3

Mutilados jardines y primaveras abolidas
abrieron sus milagrosos ramos
en el cristal en que se posa mi mano,

(¡Prodigioso perfume!

         Recompusiéronse tiempos, formas, colores, vidas.

         ¡Ah, mundo vegetal, nosotros, humanos, lloramos
         sólo de la incerteza de la resurrección.



CANCIÓN EXCÉNTRICA

Ando en procura de espacio
para dibujar la vida.
En números me embarazo,
pierdo siempre la medida.
Si pienso encontrar salida,
en vez de abrir un compás,
arrojóme en un abrazo,
en despedida tenaz,

Si vuelvo sobre mi paso,'
todo lejos y fugaz.

Y mi corazón de acero,
ya sintiendo ya el cansancio
de esta búsqueda de espacio
para dibujar la vida.

Hoy, exhausta y descreída,
no me animo a un breve trazo:
— saudosa de lo que no hago,
— de lo que hago, arrepentida.







 Se llevaron las rejas del balcón
desde donde la casa se avistaba.
Las rejas de plata.

Se llevaron la sombra de los limoneros
por donde rodaban arcos de música
y hormigas rojizas.

Se llevaron la casa de verde tejado
con sus grutas de conchas
y sus vitrales de flores empañadas.

Se llevaron a la dama de viejo piano
que tocaba, tocaba, tocaba
la pálida sonata.

Se llevaron los párpados de antiguos sueños,
y dejaron solamente la memoria
y las actuales lágrimas.




Yo, sí -¿Pero y la estrella de la tarde, que subía y descendía
de los cielos cansada y olvidada?
¿Y los pobres, que golpeaban las puertas, sin resultado, haciendo
vibrar la noche y el día con su puño seco?
¿Y los niños, que gritaban con el corazón aterrado?: "¿por qué
nadie nos responde?"
¿Y los caminos, y los caminos vacíos, con sus manos extendidas
inútilmente?
¿Y el santo inmóvil, que deja a las cosas continuar su rumbo?
¿Y las músicas encerradas en cajas, suspirando con las alas
recogidas?

¡Ah! –Yo, sí –porque ya lo lloré todo, y despedí mi cuerpo
usado y triste,
y mis lágrimas lo lavaron, y el silencio de la noche lo enjugó.
Pero los muertos, que enterrados soñaban con palomas ligeras
y flores claras,
y los que en medio del mar pensaban en el mensaje que la playa
desplegaría rápidamente hasta sus dedos...
Pero los que se adormecieron, de tan excesiva vigilia –y que yo
no sé si despertarán...
y los que murieron de tanta espera... -y que no sé si fueron salvados.

Yo, sí. Pero todo esto, todos estos ojos puestos en ti, en lo alto
de la vida,
no sé si te mirarán como yo,
renacida y desprovista de venganzas,




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